Na extremidade sul do antigo município de São João da Barra encontrava-se o rio Itabapoana, chamado de Cabapoana pelos povos indígenas. Às margens desse rio surgiu uma comunidade que, ao longo dos séculos, passou por diferentes fases de ocupação e desenvolvimento, tornando-se um importante ponto de navegação e comércio da região.
A antiga Vila da Rainha
A região do rio Itabapoana está ligada aos primeiros tempos da colonização. O donatário Pero de Góis escolheu o local para estabelecer a Vila da Rainha, que acabou sendo destruída diversas vezes.
Segundo o historiador Fernando José Martins, as terras posteriormente foram incorporadas à Fazenda Moribeca, pertencente aos jesuítas. Mais tarde, a propriedade teria sido abandonada.
O paulista Antônio do Prado, durante uma de suas bandeiras, estabeleceu-se na região. De seu relacionamento com Christina de Tal nasceu Francisca do Prado, que se casou, em 1746, com Francisco Dias.
Ao visitar a barra do Itabapoana, ao sul do rio Itapemirim, Francisco Dias decidiu estabelecer-se na região. Posteriormente, foi nomeado encarregado da Passagem do Rio, função importante para a circulação entre as margens e para o desenvolvimento daquele território.
O surgimento do povoado
Durante muitos anos, São Sebastião do Itabapoana permaneceu como uma pequena comunidade.
Fernando José Martins relata que, até 1844, o lugar era bastante insignificante, constituído principalmente por um agrupamento de moradias de pescadores.
Um novo momento teria ocorrido em 1834, quando o Capitão Viana, após receber as terras como herança, permitiu que elas fossem habitadas, dando início a uma nova etapa na formação do povoado.
A partir daí, a localidade começou a crescer e a ganhar importância.
A criação da freguesia
Em 15 de outubro de 1857, a Lei Provincial nº 989 criou a freguesia de São Sebastião do Itabapoana.
Nesse período, o povoado já apresentava um desenvolvimento considerável, principalmente em razão da navegação, que desempenhava papel fundamental na economia regional.
O porto era utilizado para o transporte da produção de café e outros produtos provenientes do sul do Espírito Santo e de Minas Gerais, estabelecendo uma importante ligação comercial entre essas regiões e o Rio de Janeiro.
São Sebastião do Itabapoana possuía então um grande sobrado, vários trapiches de sólida construção e mais de oitenta casas, algumas delas consideradas elegantes.
A população já ultrapassava 2 mil habitantes.
Um porto movimentado
A navegação de cabotagem com destino ao Rio de Janeiro era intensa.
Entre as embarcações que frequentavam o porto estavam o brigue Otávio; os patachos Caramuru, Paraguaçu, Estrela do Norte, Raquel, Santo Antônio e Amor Divino; a polaca D. Anna; as sumacas Cristina, Feliz e Francisca; e os hiates São João da Cruz, São João Batista, Flor do Itabapoana, Floresta e Conceição Aurora.
Além dessas embarcações, diversas lanchas também faziam parte da movimentação do porto.
A localidade era ainda atendida pela Companhia de Navegação a Vapor Espírito Santo e Campos, que mantinha linhas regulares para Vitória, Mucuri e Caravelas.
O movimento de embarcações transformou São Sebastião do Itabapoana em um importante ponto de circulação de pessoas e mercadorias.
A Igreja de São Sebastião
Foi durante esse período de crescimento que, com a participação da população, foi construída a Igreja de São Sebastião.
A construção do templo representou não apenas um marco religioso, mas também um importante ponto de encontro da comunidade.
A devoção a São Sebastião permaneceu através das gerações. Até hoje, o dia 20 de janeiro, dedicado ao santo, é celebrado pela comunidade com a tradicional festa religiosa.
Uma fotografia que preserva a memória
Na fotografia, a procissão de São Sebastião, uma imagem que registra um dos momentos de fé e devoção que marcaram a história da comunidade.
Mais do que uma celebração religiosa, a fotografia representa um fragmento da memória de um lugar que teve no rio Itabapoana, na navegação, na pesca, no comércio e na religiosidade alguns dos principais elementos de sua formação.
São Sebastião do Itabapoana na história regional
A história de São Sebastião do Itabapoana revela a importância que os pequenos portos tiveram na formação econômica e social do Norte Fluminense e das regiões vizinhas.
Antes das estradas e dos modernos meios de transporte, eram os rios e o mar que conectavam comunidades, transportavam mercadorias e aproximavam diferentes regiões.
Às margens do Itabapoana, um antigo povoado de pescadores transformou-se em um movimentado porto, deixando registros de uma época em que embarcações, trapiches e comerciantes faziam parte da paisagem cotidiana.
Preservar essa história é também preservar a memória das pessoas que construíram São Sebastião do Itabapoana.
