Muitas foram as famílias de prósperos agricultores que, desbravando florestas, abrindo picadas pelas matas, criando gado e cultivando mandioca e cana-de-açúcar, contribuíram para a ocupação e o desenvolvimento da região conhecida antigamente como Sertão Sanjoanense, área que posteriormente daria origem ao atual município de São Francisco do Itabapoana.
Entre essas famílias, destaca-se a família Henriques Peçanha, representada pelo Capitão Sebastião da Silva Henriques e por sua esposa, D. Mariana Henriques Peçanha.
D. Mariana faleceu em 9 de outubro de 1904, enquanto o Capitão Sebastião faleceu em 23 de setembro de 1911.
As propriedades da família
Sebastião da Silva Henriques e Mariana Henriques Peçanha foram proprietários de diversas fazendas na região.
Entre elas estavam as propriedades Candeas, localizada em Itapemirim, que possuía uma grande casa de vivenda, além das fazendas Quilombo, Sapucaia, Boa Sorte e Santo Antônio.
As fazendas Boa Sorte e Santo Antônio também contavam com casas de vivenda e bolandeiras destinadas à fabricação de farinha, atividade de grande importância econômica para a população rural daquela época.
O casal deixou uma numerosa descendência:
- João Henriques Peçanha, nascido em 1879;
- Antônio Henriques Peçanha, conhecido como Mocinho, nascido em 1881;
- D. Libânia Henriques Peçanha, nascida em 1884, casada com Carlos Mayerhofer;
- D. Demithildes Henriques Peçanha, nascida em 1885, casada com Geraldo da Silva Ribeiro;
- D. Florisminda Henriques Peçanha, nascida em 1887, casada com Bruno Martins das Chagas;
- D. Carmelita Henriques Peçanha, nascida em 1888, casada com Felismindo Henriques Cordeiro;
- Demerval Henriques Peçanha, nascido em 1891;
- Olímpio Henriques Peçanha, nascido em 1892;
- D. Imperalina Henriques Peçanha, nascida em 1895;
- D. Carlinda Henriques Peçanha, nascida em 1896, casada com João Pinto da Cruz;
- D. Namorina Henriques Peçanha, nascida em 1897.
Antônio Henriques Peçanha, o Mocinho
Um dos filhos do casal que teria papel importante na formação de um novo núcleo de povoamento foi Antônio Henriques Peçanha, conhecido popularmente como Mocinho.
Em 1918, com o falecimento de Francisco dos Santos Barreto, proprietário da grande Fazenda Palmeiras, sua filha, Isabel Barreto Freire, casada com Manoel Freire da Silva Carlos, vendeu parte da propriedade.
Uma das áreas, denominada Recreio, foi adquirida por Antônio Henriques Peçanha, o Mocinho. Outra parte foi vendida a Manoel Pereira de Macedo.
Na área adquirida por Mocinho existia uma casa antiga. Ele logo construiu uma nova casa de vivenda e, junto à residência, instalou um pequeno comércio.
Manoel Pereira de Macedo também construiu sua residência e, ao lado dela, mandou erguer outros cinco prédios destinados à moradia.
O surgimento de um povoado
A iniciativa de Antônio Henriques Peçanha teve grande importância para o crescimento da localidade.
Ao lotearem parte de sua propriedade e permitirem novas construções, Mocinho e outros moradores contribuíram para que o lugar recebesse um número cada vez maior de famílias.
Pouco a pouco, o núcleo de moradias cresceu e acabou se transformando em um povoado.
A localização também favorecia esse desenvolvimento, pois a área ficava no cruzamento de duas estradas que cortavam a região.
Praça João Pessoa
O ano de 1930 marcou uma nova etapa na história da localidade.
Com a morte, no Recife, do político paraibano João Pessoa, o povoado passou a ser denominado Praça João Pessoa, nome relacionado ao cruzamento das duas estradas que cortavam a região.
A nova denominação passou a identificar aquele núcleo de povoamento que vinha se desenvolvendo a partir das antigas propriedades rurais.
A Escola Típica Rural João Pessoa
Outro momento importante ocorreu em 1º de julho de 1941, quando foi criada a Escola Típica Rural João Pessoa.
A instituição funcionou até 1948, quando foi fechada. Posteriormente, foi reaberta com o nome de Escola Estadual Joaquim Gomes Crespo.
A criação da escola representou mais um passo no desenvolvimento da comunidade, contribuindo para a educação das novas gerações que viviam naquela região rural.
De São Luiz Gonzaga a Maniva
Em 6 de setembro de 1941, ocorreu outra mudança importante na organização administrativa da região.
O antigo distrito de São Luiz Gonzaga passou a denominar-se Maniva, tendo a localidade de Praça João Pessoa como sua sede.
A região continuaria a passar por transformações administrativas e territoriais ao longo das décadas, fazendo parte do processo histórico de formação do atual município de São Francisco do Itabapoana.
A importância da família Henriques Peçanha
A trajetória da família Henriques Peçanha ajuda a compreender como a ocupação do antigo Sertão Sanjoanense aconteceu.
Por meio da agricultura, da criação de animais, da produção de farinha, da abertura de caminhos e, posteriormente, do loteamento de propriedades, famílias como os Henriques Peçanha contribuíram para transformar antigas áreas rurais em núcleos de moradia e comunidades.
A história de Antônio Henriques Peçanha, o Mocinho, é especialmente significativa nesse processo. A partir da aquisição da área conhecida como Recreio, sua iniciativa de construir uma residência, estabelecer um comércio e permitir novas construções ajudou a impulsionar o crescimento da localidade.
Hoje, recuperar essas histórias significa preservar a memória das famílias e das comunidades que participaram da formação de São Francisco do Itabapoana.
A história de um município também é construída pelas famílias, pelas casas, pelos caminhos e pelos pequenos povoados que, com o passar dos anos, deram origem às comunidades que conhecemos hoje.

